O governador eleito Cadu de Lula (PT) terá minoria para governar. Isso é o que as urnas disseram, mas é tradição na política potiguar que o vencedor nestas circunstâncias consiga formar maioria antes da posse.
Hoje ele conta com dez parlamentares: Francisco do PT Isolda Dantas (PT), Divaneide Basílio (PT), Daniel Valença (PT), Kaline de Dr. Bernardo (PV), Eudiane Macedo (PV), Ivanilson Oliveira (PV), Ezequiel Ferreira (PSDB), Gustavo Soares (PSDB) e Cristiane Dantas (PSDB).
Ele já sabe que outros nove não virão para sua base: os sete eleitos pelo PL e dois do União Brasil (Cinthia de Allyson e Robson Carvalho).
Mas existem outros cinco que podem migrar para a base governista que saltaria de 10 para 15, caso ele tenha 100% de aproveitamento nas articulações.
São eles: Kleber Rodrigues (PP), Nelter Queiroz (PP), Neilton Diógenes (PP), Júlio César (PP) e Josivan Bibiano (MDB).
A governadora Fátima Bezerra (PT) recebeu, na manhã desta quarta-feira (28), o governador eleito do Rio Grande do Norte Cadu Xavier (PT), acompanhado pela vice governadora eleita Larissa Rosado (PSB), para anunciar os preparativos e o decreto que formalizam a Comissão Mista de Transição Governamental 2026–2027 para o novo Governo do Rio Grande do Norte. A chefe do executivo estadual assinalou que o processo será realizado com organização, transparência e fornecimento de todas as informações necessárias para a preparação institucional da nova gestão estadual.
O decreto formalizando a comissão e o início dos trabalhos será publicado oficialmente na edição de quinta-feira (29) do Diário Oficial do Estado (DOE). A comissão terá a finalidade de garantir o acesso a dados administrativos, fiscais, financeiros, orçamentários e patrimoniais, assegurando o diálogo e o espírito republicano durante todo o processo.
A comissão mista será composta por 14 membros no total, sendo 7 indicados pelo governo em exercício e 7 indicados pelo novo governo.
Os nomes indicados pela atual gestão para compor a comissão são: Luciana Daltro (Controladora e Ouvidora Geral do Estado), responsável pela coordenação da transição; Antenor Roberto (Procurador-Geral do Estado); Álvaro Bezerra; Secretário de Estado da Fazenda) Alexandre de Oliveira Lima (Secretário de Planejamento, Orçamento e Gestão); Virgínia Ferreira (Chefe do Gabinete Civil) e Jane Araujo (Secretária de Administração do Rio Grande do Norte) e Nereu Linhares (Presidente do Instituto de Previdência Social do RN).
Equipe
O governador eleito acrescentou que a equipe de transição, seguirá uma abordagem técnica e representativa e será composta também por representantes da sociedade civil e setores produtivos com inclusão de membros indicados por entidades externas à administração pública direta, tais como: FIERN, Fecomércio, movimentos sindicais, academias e Federação de Municípios, visando principalmente fortalecer a articulação e o diálogo entre o governo estadual e os 167 municípios potiguares.
Cadu deve indicar ainda mais sete nomes para equipe de transição.
A experiência de alfabetização de adultos coordenada pelo educador Paulo Freire, em 1963, no município de Angicos, foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Rio Grande do Norte. A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado na última terça-feira (27) e busca preservar a memória de uma das iniciativas mais emblemáticas da educação popular brasileira. A lei tem origem em projeto de autoria do deputado estadual Ezequiel Ferreira.
Realizada no interior potiguar, a experiência ganhou projeção nacional ao propor um modelo de alfabetização baseado nas vivências, nos conhecimentos e na realidade social dos participantes. Com o reconhecimento, o Governo do Estado contribui para valorizar o significado histórico, cultural e educacional da iniciativa e assegurar a preservação de seu legado para as futuras gerações.
Memórias, relatos orais e saberes
O reconhecimento abrange as memórias, os relatos orais, os saberes e as práticas pedagógicas associados às pessoas e comunidades que participaram do projeto. Entre os objetivos estão incentivar pesquisas, divulgar referências históricas e culturais e fortalecer a transmissão desse patrimônio imaterial.
A experiência teve início em 28 de janeiro de 1963 e foi concluída em 2 de abril daquele ano. A proposta coordenada por Paulo Freire tinha como meta alfabetizar adultos em 40 horas de atividades. A primeira turma reuniu 380 participantes, dos quais aproximadamente 300 concluíram o curso.
Na época, Angicos tinha cerca de 9,5 mil habitantes. O projeto utilizava palavras presentes no cotidiano dos alunos como ponto de partida para o aprendizado da leitura e da escrita, aproximando o processo de alfabetização da realidade social e profissional dos participantes.
Paulo Freire no Rio Grande do Norte
A realização do projeto no estado começou a ser articulada em 1962 pelo então governador Aluízio Alves, natural de Angicos, com a intermediação do secretário estadual de Educação, Calazans Fernandes. A proposta era ampliar a iniciativa para outras regiões potiguares, contribuindo para enfrentar os elevados índices de analfabetismo da época. A experiência se inseria em um contexto de mobilização nacional em torno da educação de adultos e da ampliação do acesso ao conhecimento.
O projeto, porém, foi interrompido pelo golpe militar de 1964. Paulo Freire foi preso e posteriormente exilado, enquanto iniciativas de educação popular passaram a enfrentar restrições durante a ditadura.
“Essa experiência também nos remete a um período decisivo da história do Brasil, quando iniciativas voltadas à democratização do conhecimento foram interrompidas pela ditadura militar, que perseguiu e exilou Paulo Freire. Preservar esse legado é reconhecer a importância da educação como direito, instrumento de emancipação humana e fundamento da democracia. Como professora e defensora da educação pública, compreendo que valorizar as 40 Horas de Angicos é também reconhecer a capacidade do nosso povo de transformar sua própria realidade por meio do conhecimento. O Rio Grande do Norte tem orgulho de fazer parte dessa história”, finalizou a governadora.
A senadora Zenaide Maia (PSD-RN) votou favoravelmente ao projeto de lei (PL) 1.985/2026, que institui um Protocolo Nacional Obrigatório de Padronização do Atendimento às Mulheres Vítimas de Violência Doméstica e Familiar, e ao projeto de lei (PL) 1.447/2026, que estabelece a coleta de impressão digital da parturiente e impressão plantar do recém-nascido no momento do parto. As proposições foram apreciadas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), principal colegiado da Casa e do qual a parlamentar é integrante.
“Garantir a segurança e a proteção à vida exige medidas padronizadas para que a lei seja cumprida com rigor em cada município e em cada estado. Seja no acolhimento humanizado e sem culpabilização das mulheres vítimas de violência, seja na identificação segura dos nossos recém-nascidos, uniformizar procedimentos é fundamental para combater crimes, evitar erros e assegurar a dignidade das famílias brasileiras”, frisou a parlamentar ao ressaltar a importância da aprovação definitiva das propostas, que passaram em agosto na CCJ.
O PL 1.985/2026 estabelece atendimento humanizado, acolhedor e empático em toda a rede de proteção, além de proibir a culpabilização da vítima. A medida também prevê capacitação dos profissionais, padronização dos procedimentos, indicadores de qualidade e mecanismos de acompanhamento e fiscalização da aplicação do protocolo em todo o país. O projeto seguiu para deliberação da Comissão de Direitos Humanos (CDH).
Já o PL 1.447/2026 busca reforçar a segurança da identificação civil, prevenir a substituição de recém-nascidos, bem como prevenir fraudes e erros de registro. As informações serão vinculadas à Declaração de Nascido Vivo (DNV) e deverão seguir as regras de proteção de dados previstas na LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais). A proposta avança para votação em turno suplementar na CCJ.
O governador eleito do Rio Grande do Norte, Cadu Xavier (PT), quer a união da classe política do Estado, independentemente das divergências partidárias e dos palanques formados durante as eleições. Com esse objetivo, já começou a conversar com lideranças que estiveram do lado adversário na disputa pelo Governo do Estado.
Cadu revelou que já manteve conversas com o senador Styvenson Valentim (Podemos), os deputados federais Benes Leocádio (União Brasil) e João Maia (PP), além do prefeito de Natal, Paulinho Freire (União Brasil). O governador eleito também manifestou interesse em estabelecer contato com o senador Rogério Marinho (PL).
“Eu queria muito unir a classe política do nosso Estado”, afirmou Cadu Xavier, sinalizando que pretende deixar as disputas eleitorais para trás e construir uma relação de diálogo com diferentes forças políticas.
A iniciativa demonstra a disposição do governador eleito de buscar entendimento com representantes de diferentes partidos, inclusive aqueles que não apoiaram sua candidatura.
O discurso de Cadu também abre espaço para o diálogo com prefeitos que estiveram no palanque adversário, numa tentativa de construir parcerias administrativas e políticas em favor dos municípios potiguares.
Passada a eleição, Cadu Xavier sinaliza que pretende trocar o confronto eleitoral pela conversa e buscar uma relação institucional com toda a classe política do Rio Grande do Norte.
Parlamentares questionam sucessivos pedidos de suplementação enviados pelo Executivo e defendem maior transparência e responsabilidade na gestão dos recursos públicos
A Câmara Municipal de Caraúbas rejeitou, nesta quarta-feira (28), três projetos de lei encaminhados pela Prefeitura que solicitavam suplementações orçamentárias superiores a R$ 2 milhões. A decisão ocorreu durante sessão extraordinária e teve o apoio de seis vereadores, que justificaram seus votos pela necessidade de maior planejamento e controle das despesas municipais.
Votaram contra as propostas os vereadores Hamilton Bezerra, presidente da Comissão de Orçamento, Elionaldo Benevides, Denys Morais, Francisca Leite, João Gomes e Edmilson Leite.
A principal justificativa apresentada pelos parlamentares foi o elevado número de pedidos de suplementação encaminhados pelo Executivo ao longo do ano. Segundo os vereadores, a Câmara já havia aprovado um orçamento superior a R$ 114 milhões para 2026, com autorização para acréscimos de até 20%, o equivalente a aproximadamente R$ 23 milhões.
Além disso, até outubro deste ano, a Prefeitura de Caraúbas já havia encaminhado ao Legislativo mais de 25 projetos de suplementação orçamentária, que somam aproximadamente R$ 21 milhões em recursos adicionais solicitados.
Para os seis vereadores, a quantidade de pedidos levanta questionamentos sobre o planejamento financeiro da administração municipal e reforça a necessidade de maior transparência na execução do orçamento.
Vereadores afirmam que rejeição não significa oposição aos servidores ou à população
Os parlamentares também contestam a interpretação de que a rejeição dos projetos representaria uma posição contrária aos interesses da população ou ao pagamento dos servidores municipais.
Segundo eles, a responsabilidade pelo planejamento orçamentário, pela organização das despesas e pelo cumprimento das obrigações financeiras do município é da Prefeitura.
Os vereadores argumentam que cabe ao Poder Executivo acompanhar a arrecadação, estabelecer prioridades e administrar os recursos disponíveis para garantir o funcionamento dos serviços públicos e o pagamento dos servidores.
Nesse contexto, defendem que a Câmara Municipal não deve atuar apenas como instância de aprovação automática das propostas encaminhadas pela Prefeitura, mas exercer suas atribuições constitucionais de fiscalização e controle dos gastos públicos.
Os parlamentares sustentam que a rejeição das suplementações representa uma cobrança por justificativas mais consistentes sobre a necessidade de novos recursos e por maior previsibilidade na administração das finanças municipais.
Para o grupo, a garantia de serviços públicos de qualidade, a valorização dos servidores e o equilíbrio das contas municipais dependem de planejamento, transparência e responsabilidade na aplicação do dinheiro público.
O governador eleito Cadu de Lula (PT) terá um grande desafio: costurar uma maioria na Assembleia Legislativa. Hoje, ele conta com os sete deputados estaduais eleitos pela Federação Brasil da Esperança (quatro do PT e três do PV) e três do PSDB.
Cotada para ser vice de Cadu de Lula (PT), a promissora prefeita de Pau dos Ferros, Marianna Almeida (PSD), apostou tudo em Allyson Bezerra (União) e no grupo do ex-prefeito de Mossoró.
Mas as urnas trouxeram um sabor amargo para a prefeita de Pau dos Ferros.
Dos candidatos apoiados por Marianna, só Benes Leocádio (União), reeleito deputado federal, e Samanda Alves (PT), eleita senadora, foram vitoriosos.
Para deputado estadual, um dos maiores dissabores: a derrota de Galeno Torquato (União), que em Pau dos Ferros ficou atrás do adversário ferrenho da prefeita, Getúlio Rego (PL).
Para governador, Cadu derrotou Allyson em Pau dos Ferros nos dois turnos.
Marianna se afastou do lulismo governando uma das cidades mais lulistas do Estado.
A campanha de Allyson Bezerra (UB) começou em tom épico. Num clima de jornada do herói, trazia a história do menino pobre que venceu pelos estudos, derrotou as oligarquias e estava predestinado a ser governador do Rio Grande do Norte.
Ele encarnou como símbolo a imponência do azulão, ave majestosa. Nos vídeos das redes sociais, o azulão sobrevoava o Rio Grande do Norte.
O tom de triunfalismo fazia sentido. Allyson tinha certeza de que venceria no primeiro turno e de que, se houvesse segundo turno, seria mera formalidade. As pesquisas mostravam isso.
Mas veio a hecatombe da apuração do primeiro turno: pouco mais de 15 mil votos de vantagem sobre Cadu de Lula (PT) e o medo de levar uma virada, que parecia improvável mesmo sabendo que receberia a maioria dos votos de Álvaro Dias (PL).
Os votos do ex-prefeito de Natal vieram, mas parte dos lulistas migrou para Cadu.
Na semana da eleição, bateu o desespero. Após tentativas frustradas de criar um fato novo, Allyson pinçou um trecho de um discurso da deputada estadual Isolda Dantas (PT) chamando-o de “calango” e fez um vídeo se vitimizando.
O apelido fora dado pela humorista Vivi Alvares em julho e já estava nos jingles da campanha de Cadu. A referência era meramente política, relacionada à neutralidade de Allyson na disputa presidencial: “calango fica em cima do muro”.
Foi forçado, mas serviu para dar ânimo a uma militância que estava quase parada. Para o eleitor indeciso, porém, não gerou votos e passou a imagem de desespero, a qual ficou evidenciada em uma série de flagrantes que se sucederam na semana da eleição, como santinhos associando Allyson a Lula.
Na quinta-feira e no sábado, houve dois registros em vídeo (um deles resultou em flagrante da polícia) de filas de motos que recebiam material de campanha enquanto abasteciam em um posto de gasolina tudo sob coordenação de pessoas que faziam anotações.
No dia da eleição, um grupo de aliados de Allyson fez um tumulto na porta do comitê do PT.
A campanha de Allyson começou voando como um azulão e terminou rastejando como um calango.
Era o início da campanha. Era tudo incerto ainda. Cadu de Lula (PT) mal passava dos 10% nas pesquisas. Mas era a primeira visita do presidente Lula da Silva (PT) a Natal.
Ao falar sobre a governadora Fátima Bezerra (PT) e elogiar a decisão acertada dela de ficar no cargo, Lula ouviu do público os gritos de “Ministra! Ministra!”.
Pois bem!
Fátima cumpre o percurso de outros governadores nordestinos de sua geração que se tornaram ministros. Ela foi eleita, reeleita e fez o sucessor.
Com Lula reeleito, resta saber qual lugar na Esplanada dos Ministérios está reservado para ela.