ENTRE UMA ELEIÇÃO E OUTRA: QUEM REALMENTE REPRESENTA UPANEMA?

De quatro em quatro anos, Upanema volta a ocupar espaço na agenda de muitos candidatos. A cidade recebe visitas, reuniões, discursos, abraços, fotografias e promessas. Nomes que durante boa parte do mandato pouco aparecem no município reaparecem no período eleitoral para pedir o voto da população.
Mas existe uma pergunta que o eleitor deveria fazer antes de decidir seu voto: o que esse candidato fez por Upanema quando não estava precisando dos votos de Upanema?
A resposta não precisa ficar apenas no campo das opiniões. Há formas concretas de avaliar a atuação de quem ocupa um mandato público: recursos destinados ao município, projetos apresentados, articulações realizadas, presença nas discussões de interesse local e, principalmente, a disposição para ouvir e encaminhar as demandas da população.
É justamente nesse ponto que o caso de Upanema oferece uma referência para o debate.
A deputada estadual Isolda Dantas tem construído, ao longo de seus mandatos, uma atuação voltada também para demandas específicas do município. Segundo levantamento apresentado pelo seu mandato, já são mais de R$ 2,5 milhões em emendas destinadas a Upanema, com recursos aplicados em áreas como infraestrutura, saúde, esporte, abastecimento de água e apoio a eventos do calendário municipal.
Entre as ações estão recursos para calçamento de ruas, construção de praças e quadras esportivas, implantação de adutora e instalação de poços na zona rural, além de investimentos na área da saúde e aquisição de viaturas. O mandato também registra apoio a eventos importantes para o município, como o Carnaval, a Festa de Emancipação Política e a Exponema.
A atuação não se resume, portanto, à destinação de recursos.
Na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, Isolda também apresentou projetos e requerimentos relacionados a diferentes áreas de interesse público. No caso de Upanema, um exemplo recente é o Projeto de Lei nº 477/2024, que reconhece a Festa de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, padroeira do município, como Patrimônio Cultural, Imaterial, Histórico e Religioso do Estado. A matéria foi aprovada em 2026.
O abastecimento de água é outro exemplo de uma demanda que ultrapassa os limites do município e exige articulação política em diferentes esferas.
Em 2025, a própria Assembleia Legislativa registrou a atuação de Isolda junto ao prefeito Renan e vereadores de Upanema em torno da ampliação da vazão da Barragem de Umari, considerada estratégica para o abastecimento e para a produção agrícola da região.
Também foram articulados, segundo informações divulgadas sobre essa atuação, R$ 2,4 milhões em investimentos federais para melhorar o abastecimento hídrico de Upanema, em uma agenda construída por Isolda e pelo prefeito Renan em Brasília.
São números e ações que ajudam a colocar a discussão em outro patamar.
Não basta perguntar quem esteve em Upanema durante a campanha. É preciso perguntar quem esteve em Brasília quando era necessário buscar recursos. Quem esteve em Natal cobrando soluções. Quem recebeu as lideranças locais. Quem apresentou projetos. Quem destinou emendas. Quem acompanhou uma demanda depois que a fotografia deixou de ser interessante para as redes sociais.
Essa é uma diferença importante.
Um parlamentar não precisa estar todos os dias na cidade que representa. Mas precisa estar presente quando Upanema precisa de representação.
E essa presença pode acontecer de diferentes formas: em uma reunião com um ministério, em uma audiência pública, na Assembleia Legislativa, em uma articulação com o Governo do Estado, na destinação de uma emenda ou simplesmente no atendimento a uma liderança que procura o mandato para apresentar um problema da população.
Por isso, a discussão não deveria ser sobre qual candidato aperta mais mãos ou aparece mais vezes durante a campanha.
Deveria ser sobre quem transforma o voto recebido em trabalho durante os quatro anos de mandato.
Upanema, como tantos municípios pequenos do interior, tem limitações próprias. Não possui população suficiente para, sozinha, definir uma eleição estadual ou federal. Por isso, cada voto conquistado na cidade ganha importância para os candidatos, mas também aumenta a responsabilidade de quem o recebe.
O eleitor não deve ser lembrado apenas como número de urna.
Deve ser tratado como cidadão.
E as lideranças de Upanema também precisam ser respeitadas. Quando procuram um parlamentar para apresentar uma demanda, não estão pedindo um favor pessoal. Estão levando uma necessidade do município. A resposta pode ser positiva ou negativa, o recurso pode existir ou não, a solução pode depender de outra instituição. Mas o diálogo deveria permanecer aberto.
No fim, a eleição é apenas um momento.
O mandato dura quatro anos.
É nesse intervalo, longe dos palanques e das campanhas, que a população consegue perceber quem realmente mantém compromisso com a cidade.
Por isso, quando os candidatos voltarem a Upanema para pedir votos, talvez seja hora de inverter a lógica da conversa.
Em vez de apenas ouvir o que eles prometem fazer, a população pode perguntar:
O que você já fez por Upanema?
Quantos recursos trouxe?
Quais demandas do município defendeu?
Quantas vezes esteve disponível para nossas lideranças?
O que fez pela cidade quando não precisava do nosso voto?
É nesse histórico — e não apenas nos discursos de campanha — que o eleitor pode encontrar elementos concretos para avaliar quem pretende representar Upanema.
Porque, no final das contas, representar uma cidade não é aparecer de quatro em quatro anos. É trabalhar por ela durante os quatro anos.












