
A campanha de Allyson Bezerra (UB) começou em tom épico. Num clima de jornada do herói, trazia a história do menino pobre que venceu pelos estudos, derrotou as oligarquias e estava predestinado a ser governador do Rio Grande do Norte.
Ele encarnou como símbolo a imponência do azulão, ave majestosa. Nos vídeos das redes sociais, o azulão sobrevoava o Rio Grande do Norte.
O tom de triunfalismo fazia sentido. Allyson tinha certeza de que venceria no primeiro turno e de que, se houvesse segundo turno, seria mera formalidade. As pesquisas mostravam isso.
Mas veio a hecatombe da apuração do primeiro turno: pouco mais de 15 mil votos de vantagem sobre Cadu de Lula (PT) e o medo de levar uma virada, que parecia improvável mesmo sabendo que receberia a maioria dos votos de Álvaro Dias (PL).
Os votos do ex-prefeito de Natal vieram, mas parte dos lulistas migrou para Cadu.
Na semana da eleição, bateu o desespero. Após tentativas frustradas de criar um fato novo, Allyson pinçou um trecho de um discurso da deputada estadual Isolda Dantas (PT) chamando-o de “calango” e fez um vídeo se vitimizando.
O apelido fora dado pela humorista Vivi Alvares em julho e já estava nos jingles da campanha de Cadu. A referência era meramente política, relacionada à neutralidade de Allyson na disputa presidencial: “calango fica em cima do muro”.
Foi forçado, mas serviu para dar ânimo a uma militância que estava quase parada. Para o eleitor indeciso, porém, não gerou votos e passou a imagem de desespero, a qual ficou evidenciada em uma série de flagrantes que se sucederam na semana da eleição, como santinhos associando Allyson a Lula.
Na quinta-feira e no sábado, houve dois registros em vídeo (um deles resultou em flagrante da polícia) de filas de motos que recebiam material de campanha enquanto abasteciam em um posto de gasolina tudo sob coordenação de pessoas que faziam anotações.
No dia da eleição, um grupo de aliados de Allyson fez um tumulto na porta do comitê do PT.
A campanha de Allyson começou voando como um azulão e terminou rastejando como um calango.

