DELATOR DIZ QUE APORTES EM FUNDO FEITOS PARA ATENDER PEDIDO DE FLÁVIO BOLSONARO VIRARAM FRAUDE

Por ICL Notícias – Em seu acordo de colaboração premiada, o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, relatou que fez os aportes de dinheiro no fundo Havengate acreditando que fazia um investimento a pedido de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O empresário diz que não sabia que os valores supostamente iriam financiar “Dark Horse”, a cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL).  Meses depois, porém, quando a crise do banco se instalou, Freixo Junior tentou resgatar os valores investidos e não encontrou mais o dinheiro. Segundo o empresário, o aporte se revelou uma fraude. O fundo é administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.

Freixo Junior firmou acordo de colaboração premiada com a PGR, homologado pelo ministro André Mendonça, do STF, em setembro. O empresário era dono da Entre Investimentos e Participações, de onde partiram os valores enviados ao Havengate Development Fund, fundo sediado no Texas. Uma reportagem da revista piauí revelou que, originalmente, a minuta de suposto acordo de patrocínio previa que o dinheiro destinado ao filme iria para a produtora Go Up, no Brasil. Depois, no entanto, os repasses foram enviados ao Havengate, nos EUA.

O Havengate Development Fund LP aparece como sendo de propriedade de uma empresa do tipo LLC, a Havengate Development Fund GP LLC, registrada no mesmo endereço comercial em Dallas que o escritório de Calixto. Essa LLC tem como membros do quadro societário Paulo Calixto e o corretor de imóveis Altieris Santana.

Uma reportagem do Intercept mostrou que o Havengate havia sido criado originalmente para vender a investidores, inclusive brasileiros, participação em um projeto imobiliário no Texas chamado Havengate Community, empreendimento que não saiu do papel.

No início de setembro, o blog da jornalista Andréia Sadi revelou que Mineiro relatou sete repasses ao fundo entre fevereiro e setembro de 2025. Os repasses foram feitos por meio de “subscrição de cotas” e somaram US$ 12,333 milhões. A piauí também apontou a possibilidade de mais dois repasses. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, nega irregularidades e diz que pediu o dinheiro para o filme. No entanto, prometeu uma prestação de contas dos valores em maio e nunca a apresentou. Além disso, não explica por que o dinheiro foi enviado a um fundo no Texas, e não diretamente à Go Up.

A coluna procurou o advogado Marco Petrelluzzi, que defende Freixo Junior, mas ele disse que não poderia se manifestar. A defesa de Daniel Vorcaro pediu acesso ao expediente e a anulação da homologação do acordo, mas ainda não obteve resposta do ministro André Mendonça, relator do caso no STF.

Na colaboração, Freixo Junior admitiu que sua função junto a Vorcaro era “gerar” dinheiro vivo. Segundo o delator, em cerca de dois anos e meio, ele conseguiu para o banqueiro R$ 1,3 bilhão em espécie, entregue a Vorcaro e à sua equipe em malas de R$ 1 milhão a R$ 1,5 milhão. O dinheiro, de acordo com o relato, servia para pagar pessoas indicadas por Vorcaro.

Como funcionava a “geração” de dinheiro

Os pedidos chegavam por WhatsApp, feitos primeiro por Vorcaro e depois por [Fabiano] Zettel, [cunhado do banqueiro], e por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. Mineiro então acionava operadores, também por WhatsApp, e fazia transferências bancárias para empresas indicadas por eles. Uma dessas empresas era uma distribuidora de combustíveis que, segundo o delator, já havia aparecido na Operação Carbono Oculto. Os operadores obtinham as cédulas com contatos no Brás, na região central de São Paulo, e no setor de combustíveis. Depois, levavam o dinheiro à sede da Entre, na rua Iguatemi, no Itaim Bibi.

As entregas eram combinadas para o mesmo dia com Vorcaro, ou com alguém indicado por ele, para evitar guardar o dinheiro. Segundo o relato, elas aconteciam no estacionamento subterrâneo do prédio da Entre ou na garagem do edifício onde Zettel morava, no mesmo bairro. Pelo serviço, os operadores ficavam com 4% dos valores, e Mineiro, com 1%.

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