

O Rio Grande do Norte fechou 2025 com 1,36 milhão de pessoas ocupadas, um aumento de 8,1% (mais 103 mil pessoas) em relação a 2012. No mesmo período, a população desocupada em relação à força de trabalho recuou para 8,07%, o menor patamar da série histórica iniciada em 2012.
É o que mostram os dados do módulo Características Adicionais do Mercado de Trabalho da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgados hoje (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Investigado desde 2012, o suplemento traz um retrato estrutural do mercado de trabalho, permitindo comparações de longo prazo.
Percentual de pessoas desocupadas – 2012-2025

O levantamento também mostra que, em 2025, o Rio Grande do Norte tinha 2,85 milhões de pessoas em idade de trabalhar (14 anos ou mais). Desse total, 1,48 milhão (52,1%) estava na força de trabalho e 1,37 milhão (47,9%) estava fora dela. Em relação a 2012, a população em idade de trabalhar cresceu em mais de 368 mil pessoas, sendo 70 mil a mais na força de trabalho e 298 mil a mais fora dela.
Mulheres ampliam participação na população ocupada
Assim como no Brasil, a participação feminina na população ocupada do RN cresceu entre 2012 e 2025. Entre os homens, o percentual de ocupados recuou de 61,0% para 58,2% no período. Já entre as mulheres, a participação subiu de 39,0% para 41,8%, um avanço de 2,7 pontos percentuais.
Serviços e administração pública puxam a geração de postos de trabalho
O mercado de trabalho potiguar acompanhou a tendência nacional de consolidação dos serviços e da administração pública como principais vetores de absorção de mão de obra, enquanto setores tradicionais perderam espaço relativo.
Entre 2012 e 2025, os maiores crescimentos absolutos de ocupados no RN ocorreram em Administração pública, defesa, educação e saúde (+120 mil pessoas), em Informação, comunicação, atividades financeiras e administrativas (+60 mil) e em Outros serviços (+23 mil).
Em sentido contrário, as maiores retrações foram na Indústria geral (-41 mil), em Serviços domésticos (-36 mil) e, empatadas, na Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (-27 mil) e na Construção (-27 mil).
Pessoas de 14 anos ou mais de idade ocupadas na semana de referência
Mil pessoas – RN
| Grupamentos de atividades no trabalho principal | 2012 | 2025 | Diferença | Variação (%) |
|---|---|---|---|---|
| Total | 1.264 | 1.367 | 103 | 8,15 |
| Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura | 127 | 100 | -27 | -21,26 |
| Indústria geral | 144 | 103 | -41 | -28,47 |
| Construção | 125 | 98 | -27 | -21,60 |
| Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas | 287 | 283 | -4 | -1,39 |
| Transporte, armazenagem e correio | 47 | 64 | 17 | 36,17 |
| Alojamento e alimentação | 62 | 79 | 17 | 27,42 |
| Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas | 94 | 154 | 60 | 63,83 |
| Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais | 232 | 352 | 120 | 51,72 |
| Outros serviços | 54 | 77 | 23 | 42,59 |
| Serviços domésticos | 92 | 56 | -36 | -39,13 |
Mais da metade da população ocupada está em pequenas empresas
Desde o início da série histórica da pesquisa, a maior parte das pessoas ocupadas estão inseridas em pequenas empresas de 1 a 5 empregados, com 54,7% para 2025, ou em grandes empresas com 51 pessoas ou mais, equivalente a 25,1% das pessoas ocupadas no setor privado. Esses dois conjuntos das empresas respondem por quase 80% das ocupações no estado.
Sindicalização cresce frente a 2022, mas segue bem abaixo de 2012
A taxa de sindicalização dos trabalhadores no Rio Grande do Norte fechou 2025 em 10,4% (142 mil pessoas), reagindo ao piso da série, registrado em 2022 (9,4%, ou 126 mil pessoas). Ainda assim, o indicador permanece distante do topo histórico, alcançado em 2015, quando 18,8% dos ocupados (254 mil pessoas) eram associados a sindicato.
Na comparação de longo prazo, a proporção geral de sindicalizados encolheu de 17,1% (216 mil pessoas) em 2012 para 10,4% (142 mil) em 2025. A queda atingiu os dois sexos: entre os homens, a taxa recuou de 17,7% (137 mil) para 10,8% (86 mil); entre as mulheres, de 16,2% (80 mil) para 9,9% (56 mil).
Percentual de pessoas ocupadas que estavam associadas a sindicatos, por sexo – Rio Grande do Norte
2012:
Total — 17,1%
Homens — 17,7%
Mulheres — 16,2%
2015:
Total — 18,8%
Homens — 18,7%
Mulheres — 19,1%
2018:
Total — 15,4%
Homens — 16,0%
Mulheres — 14,5%
2022:
Total — 9,4%
Homens — 10,0%
Mulheres — 8,5%
2024:
Total — 10,0%
Homens — 11,2%
Mulheres — 8,1%
2025:
Total — 10,4%
Homens — 10,8%
Mulheres — 9,9%
Registro no CNPJ avança entre empregadores e trabalhadores por conta própria
Entre 2012 e 2025, a formalização por meio do CNPJ cresceu tanto entre os empregadores, que trabalham no próprio negócio contratando ao menos um empregado, quanto entre os trabalhadores por conta própria, que atuam de forma autônoma, sem funcionários.
No grupo dos empregadores, a taxa de registro no CNPJ subiu de 71,0% (25 mil pessoas) em 2012 para 79,5% (35 mil) em 2025, avanço puxado pelo público feminino, que passou de 5 mil (64,2%) para 14 mil (82,4%) empregadoras com CNPJ, enquanto os homens variaram de 20 mil (73,0%) para 20 mil (77,6%).
Já entre os trabalhadores por conta própria, a formalização mais que dobrou, saindo de 13,8% (49 mil pessoas) em 2012 para 25,7% (106 mil) em 2025. O crescimento foi mais expressivo entre as mulheres autônomas, que foram de 15 mil (14,0%) para 50 mil (35,9%) com CNPJ, enquanto os homens passaram de 34 mil (13,7%) para 56 mil (20,5%).
Com 25,7% de registro no CNPJ entre conta-própria em 2025, o Rio Grande do Norte ocupa a 1ª colocação da Região Nordeste e a 13ª do País nesse indicador. Em relação a 2012, o percentual quase dobrou no estado, com avanço de 11,9 pontos percentuais.
Distribuição percentual das pessoas de 14 anos ou mais de idade ocupadas na semana de referência como empregador ou conta própria no trabalho principal (%) – RN
| Registro do empreendimento no CNPJ | 2012 Total | Homens | Mulheres | 2025 Total | Homens | Mulheres |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Empreendimento registrado no CNPJ | 13,8 | 13,7 | 14,0 | 25,7 | 20,5 | 35,9 |
| Empreendimento não registrado no CNPJ | 86,2 | 86,3 | 86,0 | 74,3 | 79,5 | 64,1 |
Associação a cooperativas de trabalho recua
Entre 2012 e 2025, a associação a cooperativas de trabalho ou produção entre empregadores e trabalhadores por conta própria no Rio Grande do Norte caiu de 6,7% (24 mil pessoas) para 4,0% (16 mil).
A retração ocorreu entre os homens, cuja proporção caiu de 7,1% (18 mil) para 4,0% (11 mil), e também entre as mulheres, que recuaram de 5,7% para 4,0% — mantendo, porém, o contingente em 6 mil pessoas.
Estabelecimento próprio é o principal local de trabalho, mas padrão difere por sexo
Excluídos os empregados do setor público e os trabalhadores domésticos — e sem se tratar de uma medida de trabalho remoto —, o levantamento mostra que o estabelecimento do próprio empreendimento é o principal local de trabalho no RN (56,0%), seguido por local designado pelo cliente ou empregador (15,4%) e, empatados em terceiro lugar, fazenda/sítio/granja (7,7%) e o próprio domicílio (7,7%).
Há diferenças marcantes entre os sexos: a atuação em estabelecimento próprio atinge 74,2% das mulheres ocupadas contra 45,6% dos homens. Já o trabalho em local designado pelo empregador é mais comum entre os homens (21,7% ante 4,2% das mulheres), assim como o trabalho em veículo automotor (8,5% dos homens, item sem registro relevante entre as mulheres). O trabalho no próprio domicílio, por sua vez, é mais frequente entre as mulheres (13,1% ante 4,6% dos homens).
Distribuição percentual das pessoas de 14 anos ou mais de idade ocupadas na semana de referência, por sexo e local do exercício do trabalho (%)
| Local | Total | Homens | Mulheres |
|---|---|---|---|
| Em estabelecimento do próprio empreendimento | 56,0 | 45,6 | 74,2 |
| Em local designado pelo empregador, patrão ou freguês | 15,4 | 21,7 | 4,2 |
| Em fazenda, sítio, granja, chácara etc. | 7,7 | 10,7 | 2,4 |
| No domicílio de residência | 7,7 | 4,6 | 13,1 |
| Em veículo automotor | 5,4 | 8,5 | – |
| Em via ou área pública | 4,6 | 5,7 | 2,8 |
| Em estabelecimento de outro empreendimento | 2,2 | 2,1 | 2,5 |
| Em domicílio do empregador, patrão, sócio ou freguês | 0,5 | 0,6 | 0,3 |
| Em outro local | 0,5 | 0,5 | 0,5 |
*exclusive os empregados no setor público e trabalhadores domésticos no trabalho principal.
Sobre a pesquisa
O módulo Características Adicionais do Mercado de Trabalho é investigado na primeira entrevista aos domicílios selecionados para a PNAD Contínua desde 2012, abrangendo temas estruturais como associação a sindicato, registro no CNPJ, cooperativismo e local de trabalho.
Diferentemente do monitoramento conjuntural mensal e trimestral, o suplemento oferece um retrato estrutural do mercado de trabalho brasileiro, com dados representativos para o Brasil, Grandes Regiões e Unidades da Federação, permitindo comparações históricas de longo prazo (2012–2025).
Os anos de 2020 e 2021 não tiveram divulgação em razão da pandemia de Covid-19, e os dados estão reponderados com base no Censo Demográfico 2022


