RIO GRANDE DO NORTE REGISTRA ALTA DE 56,3% NAS NOTIFICAÇÕES DE INFECÇÃO PELO HIV E LIDERA AVANÇO NACIONAL

Entre 2020 e 2024, o Nordeste registrou crescimento de 32,2% nas notificações, o maior do país. No mesmo período em que a prevenção se torna ainda mais estratégica, quase 12 mil pessoas abandonaram a PrEP na região nos últimos 12 meses

O Nordeste segue concentrando indicadores que acendem um alerta para o enfrentamento do HIV no Brasil. Segundo o último Boletim Epidemiológico HIV e Aids, do Ministério da Saúde, a região registrou crescimento de 32,2% nas notificações de infecção pelo HIV entre 2020 e 2024, o maior entre todas as regiões brasileiras. No mesmo período, o Rio Grande do Norte liderou o avanço entre os estados, com alta de 56,3%¹.

O cenário também se reflete nas capitais nordestinas. Em 2024, Natal registrou taxa de detecção de 46,9 casos por 100 mil habitantes, uma das mais elevadas do país. São Luís aparece em seguida, com 42,3 casos por 100 mil habitantes, e Recife, com 41,1¹.

Diante desse cenário, a ampliação da PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) se tornou uma das principais estratégias para reduzir novas infecções por HIV. No entanto, a adesão ainda representa um desafio. Dados do Painel PrEP, do Ministério da Saúde, mostram que o Nordeste registrou 35.038 pessoas com pelo menos uma dispensação de PrEP nos últimos 12 meses. Destas, 23.180 (66%) permaneciam em uso, enquanto 11.858 (34%) haviam descontinuado o tratamento, evidenciando que aproximadamente um em cada três usuários abandonou a estratégia preventiva no período².

A PrEP consiste no uso de medicamentos antirretrovirais para reduzir o risco de contágio do HIV. Quando utilizada corretamente, reduz em mais de 99% o risco de infecção por transmissão sexual. O acesso é realizado por meio dos Serviços de Assistência Especializada (SAE) e dos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA), após avaliação clínica e exames. A terapia está disponível também em farmácias e drogarias².

Perfil dos usuários

O perfil dos usuários revela oportunidades para ampliar o alcance da prevenção. Entre aqueles que utilizam PrEP na região, 43,1% têm entre 30 e 39 anos, seguidos por 18,4% entre 40 e 49 anos e 6,7% com 50 anos ou mais. Já sob o recorte populacional, 79,4% das dispensações se concentram entre gays e homens cis que fazem sexo com homens (HSH)².

Para o infectologista Dr. Vinícius Borges, membro titular da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e conhecido nas redes sociais como Dr. Maravilha, o maior desafio deixou de ser apenas disponibilizar o tratamento. “Entregar o medicamento é só o começo do processo. Quando mais de 34% das pessoas interrompem a PrEP, fica claro que precisamos combater o estigma e humanizar o atendimento para que a prevenção vire, de fato, um hábito diário de autocuidado.”

HIV em pessoas 50+

Somado às particularidades da região, o monitoramento nacional também aponta para uma mudança gradual no perfil da epidemia, com aumento da participação de pessoas com 50 anos ou mais entre os novos diagnósticos de HIV. Embora esse grupo represente apenas 6,7% dos usuários de PrEP no Nordeste, o crescimento dos diagnósticos reforça a necessidade de ampliar o debate sobre saúde sexual, estimular a testagem e expandir o acesso à PrEP também entre pessoas mais velhas, grupo que historicamente ainda é pouco alcançado pelas estratégias de prevenção².

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2025. Disponível em: Link. Acesso em: 13 jul. 2026.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Painel PrEP. Brasília, DF: Ministério da Saúde, [2026]. Disponível em: Link

Deixe um comentário

Rolar para cima