

O debate da Band RN entre Allyson Bezerra (União Brasil), Álvaro Dias (PL), Cadu Xavier (PT) e Robério Paulino (PSOL), muito bem conduzido pela jornalista Anna Ruth Dantas, terminou marcado muito mais pelos ataques do que pelas propostas.
Allyson foi o mais atacado, algo natural para quem aparece competitivo e lidera as intenções de voto. A operação da Polícia Federal, da qual ele foi alvo, voltou ao centro das cobranças, e ele reagiu, chegando a desafiar os adversários a retirarem suas candidaturas caso algo fosse comprovado contra ele. Ninguém topou. Também acusou os três outros candidatos de terem combinado os ataques antes do debate. Falou em 167 propostas, mas detalhou poucas. Ainda assim, conseguiu se defender bem diante da pressão.
Cadu Xavier teve uma atuação segura. Fez questão de deixar claro que é o candidato do PT, com Lula e Fátima como referências. Não fugiu da defesa do governo estadual, do qual foi secretário da Fazenda por mais de sete anos. Quando provocado sobre ser “Cadu de Fátima”, assumiu a associação. Politicamente, foi coerente com a estratégia que levou para o debate. Em alguns momentos, passava a sensação de nervosismo – o que não é bom – talvez por ser o único que, pela primeira vez, estava num debate eleitoral.
Álvaro Dias não foi mal, mas também não se destacou. Diria que ficou abaixo das performances de Allyson e de Cadu. Pela experiência de quem já ocupou tantos cargos públicos, no Executivo e no Legislativo, esperava mais. Já era aguardado que ele enfrentasse cobranças sobre a engorda de Ponta Negra e o Hospital Municipal de Natal. Respondeu aos questionamentos, inclusive com o uso de fotos que o ajudou nos argumentos, mas perdeu algumas oportunidades por causa do cronômetro e, em diversos momentos, não conseguiu concluir o raciocínio. É algo a ser trabalhado por sua assessoria para os próximos embates.
Robério Paulino foi quem mais conseguiu furar a bolha. A expressão “farmar aura”, usada contra Allyson, ganhou repercussão nacional. Robério manteve seu estilo provocador e conseguiu transformar uma fala do debate em assunto fora do Rio Grande do Norte.
Se fosse para apontar quem se saiu melhor, colocaria Allyson e Cadu ligeiramente à frente. Robério ganhou em repercussão e Álvaro teve uma atuação regular. No conjunto, porém, considero que houve um empate quádruplo: ninguém saiu do debate grande o suficiente para ser apontado como vencedor, mas também ninguém se saiu tão mal a ponto de comprometer sua candidatura.
O principal problema foi outro: questões essenciais para o Rio Grande do Norte ficaram de lado. O déficit do Ipern, o avanço das facções criminosas e a segurança pública, a situação fiscal e financeira do Estado e a baixa capacidade de investimento, problemas históricos e estruturais, não foram debatidos à altura da gravidade que possuem.
No fim, falou-se muito sobre os candidatos e pouco sobre como (palavra-chave) governar o Rio Grande do Norte.


